quarta-feira, 19 de julho de 2017

Espíritos graciosos - Filipenses 4:23

“A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês. Amém.” (Filipenses‬ ‭4:23‬)

Se há um conceito que precisa ser resgatado na vida da igreja, esse conceito é graça. Não como chave de disputas desrespeitosas entre calvinistas e arminianos, nas quais essa palavra comumente passa distante do seu significado, mas como motivadora nos relacionamentos interpessoais dos crentes, nas denúncias dos desvios alheios e na proclamação do caminho de salvação.

Desejar que "a graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês" exige que se reconheça Jesus como um ser, acima de tudo, que se caracteriza como gracioso. Mas, se o foco da fé cristã não for o conhecimento da pessoa de Jesus, suas atitudes, sua ética, sua escala de valores e prioridades, como poderia a graça ser reconhecida?

Se reconhecemos Jesus como sendo gracioso e desejamos que essa graça se faça presente na vida da igreja, faz-se necessário que nos empenhemos em ser agentes de graça, sentindo, pensando, agindo e falando graciosamente. Sem Jesus como foco de  interesse, em vez de generosidade prevalecerá a inveja, em vez de paz reinará a briga, em vez de graça, a desgraça. E o "amém" não será a palavra final.

domingo, 16 de julho de 2017

Santos no palácio - Filipenses 4:22

“Todos os santos enviam saudações, especialmente os que estão no palácio de César.” (Filipenses‬ ‭4:22‬)

Santos e palácios raramente combinam. É que palácios são sede de poder, riqueza e bacanais, elementos com os quais a ótica dos santos difere daqueles que neles reinam. Os que reinam nos palácios geralmente dominam pessoas e organizações em favor de si e dos seus e, se necessário, matam os divergentes.

Santos são amorosos, aguerridos, compassivos, empáticos, justos, solidários e enxergam o outro como semelhante, empenhando-se sempre para que todos tenham oportunidade de alcançar vida digna. São mais propensos a dar a própria vida do que tirá-la de alguém. Sentem  prazer possibilitando que o outro supere suas dores e tenha suas necessidades supridas.

Quando santos entram em palácios, não o fazem para se tornar reis-déspotas, mas servos-subversivos. Não podendo negar suas naturezas, sempre estarão procurando um jeito de utilizar poder e riqueza em favor de todos, especialmente dos mais necessitados. Que muitos santos nos saúdem dos palácios.

sábado, 15 de julho de 2017

Missão da igreja e discipulado

Compartilho esta palavra sobre missão das igrejas no mundo, girando em torno da idéia de fazer discípulos que são, fazem  e falam baseados nas atitudes, na ética e nos compromissos de Jesus.

Se você puder investir um tempo para ouví-la e der um retorno, especialmente naquilo que discorda ou não está claro, eu agradeceria. Isso me ajudaria a tratar do assunto de maneira melhor no meu ministério pastoral e nas prédicas e preleções que faço.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Todos os santos - Filipenses 4:21

“Saúdem a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo enviam saudações." (Filipenses‬ ‭4:21‬)

Na cultura religiosa brasileira, podemos destacar pelo menos três tipos de santos: 1) os que são aprendizes em sua religião, ensinados por um chamado "pai"; 2) os que são reconhecidos em sua religião depois de mortos, por bem feito extraordinário e transformados em intercessores perante Deus; 3) os que são declarados santos em sua religião durante sua vida, mesmo sem méritos pessoais, por confiarem no ministério sacrificial de Jesus Cristo.

A definição do conceito "santo" também pode se dar de pelo menos 3 maneiras: 1)  alguém dotado de poder especial; 2) alguém que se dedica exclusivamente a causas religiosas; 3) alguém que cultiva vida saudável em si e pelos outros, em todas as dimensões, movido pela comunhão com Jesus de Nazaré.

A compreensão da fé como sendo inclusiva, ié, que "em Cristo Jesus" os seres humanos - homens e mulheres - são recolocados em situação de igualdade essencial, reconhecidos como criados a imagem e semelhança de Deus, abrindo-lhes o caminho para uma vida saudável, em todas as suas dimensões - corporal, espiritual, emocional, política, econômica, enfim - tem sido abraçada por mim como a que melhor supre nossas necessidades.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Glórias a Deus - Filipenses 4:20

“A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Amém.” (Filipenses‬ ‭4:20‬)

Deus não precisa de bajulação, portanto não precisa de bajuladores. Elogio, louvor a Deus, é um desejo humano, não uma necessidade divina. Daí Paulo declarar: "Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas.” (Atos‬ ‭17:25‬).

É legìtimo que cada comunidade de fé defina suas manifestaçōes litúrgicas à luz de suas crenças, valores culturais e manifestaçōes estéticas que conseguiu desenvolver. Ridículo é ver pessoas discutindo a respeito de qual estilo de música ou liturgia agrada mais a Deus ou, pior, brigando em torno do "louvor". 

Dar glórias a Deus só faz sentido quando é fruto de reconhecimento sincero da extraordinariedade da vida e não de tentativas inúteis de manipulação divina ou de barganha com Deus. Quando uma pessoa é impactada pela glória de Deus, sua primeira reação é silenciar, encantada. ““O Senhor, porém, está em seu santo templo; diante dele fique em silêncio toda a terra”.” (Habacuque‬ ‭2:20‬).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Riqueza essencial - Filipenses 4:19

“O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.” (Filipenses‬ ‭4:19)

Jesus, o Cristo, armazena em si as riquezas essenciais de natureza espiritual que Deus disponibiliza para que a humanidade tenha suas necessidades supridas. São essas riquezas que determinam o valor que damos às pessoas, às coisas materiais, ao meio ambiente, enfim,  e a maneira como nos relacionamos com eles.

Quem com Jesus se relaciona, se identifica com suas atitudes e as cultiva, nutrido pela graça, está no caminho para lidar com dinheiro, sexo e poder. Esses três elementos agrupam em si os maiores desafios que todos enfrentamos, ainda que em graus e circunstâncias diferentes, e estão na raiz dos conflitos que nos aterrorizam.

Desafios econômicos, políticos, emocionais, sociais, estruturais, enfim, sempre existirão. Quando, porém, são enfrentados por pessoas cujas atitudes - traduzidas em ética - se harmonizam com as presentes na vida de Jesus, produzem resultados mais favoráveis aos interesses coletivos e ao bem estar comum.

domingo, 9 de julho de 2017

Ofertas ou ofertantes? (II) - Filipenses 4:18

“Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus." (Filipenses‬ ‭4:18‬)

Se há um tipo de oferta agradável a Deus, provavelmente há uma desagradável. Essa poderia ser a proveniente de ofertantes cuja motivação não fosse abençoar um necessitado ou apoiar uma causa ético-espiritualmente reconhecida como necessária ao bem comum.

Também poderia não ser oferta agadável a Deus aquela cujo meio de levantamento tenha sido movido por sentimentos de disputas partidaristas ou de empoderamento político do doador. Embora somente Deus possa dizer o que lhe agrada, podemos deduzir, à luz do que ele revelou de si mesmo, o que lhe agradaria ou não.

Cabe a cada um avaliar motivos e finalidades das ofertas nas quais se envolve e julgar-se à luz dos valores espirituais que regem o reinado de Deus, visando dar o melhor de si, seja em quantidade ou qualidade. E, se é o beneficiário, que avalie o significado de "necessidade" para si, a fim de que não se torne um peso desnecessário aos outros.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ofertas ou ofertantes? (I) - Filipenses 4:17

“Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês.” (Filipenses‬ ‭4:17‬)

É claro que as palavras de Paulo, neste capítulo, são um excelente meio para fundamentar levantamento de ofertas para causas do reino desenvolvidas pelas igrejas em nossos dias. Entretanto, parece-me, o foco de Paulo não era as ofertas, mas os ofertantes.

Ao destacar as ofertas, Paulo (que no decorrer da carta também destaca atitudes equivocadas dos filipenses que os deixavam em situação de DÉBITO), com o caso destaca mais uma atitude positiva que aumentava o CRÉDITO daquela igreja. Era isto que ele procurava: aumentar o crédito deles, não arrancar mais ofertas.

Nossa história é um balanço contábil. Nela registramos aquilo que aumenta nossos créditos ou débitos. Somos nós, atravez de atitudes, palavras e ações, que determinamos se haverá mais crédito ou débito registrado. Paulo estava valorizando o crédito da igreja. Isso é muito importante nestes dias, quando alguns cristãos enfatizam os "débitos" das igrejas nas mídias (mais para ficar bem na fita com opositores do que para ajudar na correção) e pouco ou nada falam de seus créditos.

Ajuda-remuneração - Filipenses 4:16

“pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade.” (Filipenses‬ ‭4:16‬)

Por que a igreja ajudava financeiramente o apóstolo Paulo? A resposta seria porque ele se dedicava à pregação do evangelho. Se esse era o fato, não seria o caso de ajudarmos financeiramente  membros de igrejas que hoje também trabalham incansáveis nas causas do reino?

Paulo "fazia tendas" para auferir renda e sustentar-se, mas as viagens constantes, a dedicação às pessoas (igrejas-povo) e à escrita, além do tempo na prisão, reduziam, suponho, sua possibilidade de ganhos. Daí a necessidade de complemento que só poderia vir daqueles que acreditavam na importância do trabalho feito por ele.

O fato em si, de alguém desenvolver tarefas na igreja, não justifica remuneração, exceto se for essencial ao seu funcionamento, exigir tempo que impeça a pessoa de auferir renda própria, exigir qualificação técnica específica ausente nos demais irmãos ou impor custos fora da normalidade à pessoa. Considere-se ainda que hoje, além da "igreja-povo",  existe a "igreja-instituição" pelas imposições legais de movimentação financeiro-contábil, patrimonial, trabalhista e previdenciária, que exigem mais tempo e qualificação de alguns para cumprí-las.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Generosidade e visão estratégica - Filipenses 4:15

“Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês;” (Filipenses‬ ‭4:15‬)

Há dois tipos de ajuda pessoal que merecem atenção da igreja. Um, é a ajuda a pessoas em situação particular de adversidade econômico-financeira, classificado como de natureza social; outro, a ajuda a alguém que abre mão da produção econômico-financeira para sustento próprio a fim de dedicar-se à promoção do evangelho, classificado como investimento estratégico.

O primeiro tipo - ajuda social -  exige compaixão e lucidez, para avaliar o quadro de alguém que se apresenta necessitado. Compaixão, para ser capaz de colocar-se no lugar da pessoa, de sentir suas dores e motivar-se a ajudar. Lucidez para não ser enganado por aqueles que agem de má-fé visando subtrair dinheiro da igreja.

O segundo tipo - investimento estratégico - exige visão das necessidades humanas e reconhecimento da seriedade e qualidades de pessoas vocacionadas que se propõem a dedicar-se ao suprimento dessas necessidades. A igreja filipense parece ter sido pioneira, por sua generosidade e visão, a investir estrategicamente em Paulo, exemplo que merece ser reconhecido e seguido.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Um apelo aos pastores sobre política

Quando ouço ou leio um pastor defendendo que a mensagem do evangelho é apenas pra vida após a morte do corpo, alienando sua igreja, com seus ensinos, da participação nas questões político-econômico-sociais ou, pior, criticando e difamando os colegas que, diferente dele, estimulam os crentes a exercerem a cidadania integral (espiritual, emocional, artística, econômica, política, social...), fico me perguntando:
1. Ele é ignorante?
2. Ele é covarde?
3. Ele teme os que comandam (não necessariamente os que ocupam os cargos) seu sistema religioso-denominacional?
4. Ele está agindo de má-fé para explorar os membros da igreja?
5. Ele tem consciência de que o seu salário faz parte de um sistema político-econômico e não religioso-celestial?
6. Ele sabe que os dízimos dos membros da igreja nascem da produção deles dentro do sistema econômico e não do religioso-celestial?
7. Ele sabe que  o paletó, a gravata, a camisa, a calça, a cueca, as meias, os sapatos que ele usa nascem na produção econômica e não religioso-celestial?
8. Ele sabe que o aluguel da casa dele, a roupa, a comida, os estudos dos seus filhos, o transporte, tudo, enfim, em torno do qual sua vida gira, é fruto da atividade econômica dos membros da igreja  e não de atividade religioso-celestial?
9. Ele sabe que a própria atividade religiosa que ele dirige faz parte da máquina econômica ao produzir bíblias, livros, partituras, instrumentos musicais, púlpitos, bancadas, cadeiras, equipamentos eletrônicos, de som, de ceia, de batismos, gerando emprego, renda, lucro aos que nela trabalham?
10. Ele sabe que a programação da igreja dele alimenta serviços de hotelaria, acampamentos, salões de festas, centros de convenções, empresas de transportes viários, aéreos, marítimos,  etc, etc, etc, elementos que fazem a economia girar, gerando salários e, desses, dízimos que são entregues, inclusive para que ele receba seu salário?
11. Ele, que só fala do céu, aliena a igreja e critica seus colegas é ignorante, covarde ou de ma-fé, quando não vê que a economia não funciona apenas em torno da iniciativa de cada um, mas sob leis do Estado?
12. Ele sabe que essas leis não caem do céu, mas são fruto de embates políticos entre fortes interesses divergentes ou, quando convergentes, têm representado mais os interesses de quem as faz - os vereadores, deputados e senadores - ou de quem financia a campanha eleitoral de quem as faz, inclusive contra os interesses do povo?

Pastor, meu colega, se você não se sente preparado ou não fala sobre isso com sua igreja com medo dos poderosos da política religioso-denominacional, partidária ou econômica, pelo menos coloque-se em ORAÇÃO diante de Deus e DECIDA não enganar os membros de sua igreja ou criticar seus colegas. Isso já é um grande passo.

Um dia você estará diante de Deus para prestar contas do seu ministério e, acredito, muito menos do que a quantidade de pessoas que te ouviu dominicalmente ou do que a quantidade de eventos eclesiástico-denominacionais nos quais você falou ou assistiu, ou ainda menos do que a quantidade de dinheiro que você colaborou para que sua igreja levantasse para sustentar "a obra", você prestará contas da alienação e difamação que promoveu e da covardia que não superou, prejudicando a vida abundante que Jesus veio trazer a este mundo.

A vida dos membros de sua igreja, futura e presente, é do interesse de Deus. Todas as dimensões da vida dos membros de sua igreja - não só a espiritual - fazem parte do interesse de Deus. Não foi o diabo quem nos criou como seres artísticos, políticos, econômicos, sociais, emocionais, etc.. Isso nós lemos nas Escrituras e vemos na vida de Jesus.

Peça, então, ao Espírito Santo de Deus que tê de coragem, que ilumine a sua mente e que encha seu coração de honestidade, empatia e compaixão pra não alienar, iludir ou enganar os membros de sua igreja e, assim, possa dizer ao final de cada etapa de trabalho que realiza o mesmo que Paulo disse:  "Vocês sabem como vivi todo o tempo em que estive com vocês, desde o primeiro dia em que cheguei à província da Ásia. Servi ao Senhor com toda a humildade e com lágrimas, sendo severamente provado pelas conspirações dos judeus. Vocês sabem que NÃO DEIXEI DE PREGAR A VOCÊS NADA QUE FOSSE PROVEITOSO, mas ensinei tudo publicamente e de casa em casa. Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que eles precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus." (Atos‬ ‭20:18-21‬).

Pense nisso, meu colega!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Interesse pelo outro (II) - Filipenses 4:14

“Apesar disso, vocês fizeram bem em participar de minhas tribulações.” (Filipenses‬ ‭4:14‬)‬‬

É comum, diante de nossas aflições, nos empenhamos em solucionar o problema sem ajuda alheia. Admitir a situação adversa e buscar a superação por meios próprios é uma maneira de reafirmar a autonomia. Recusar ajuda, entretanto, não é uma postura adequada. 

Recusar ajuda pode ser sinal de arrogância,  sentimento que não é benéfico nem pra quem está em aflição, nem à construção de relacionamentos interpessoais saudáves. Pior ainda é tratar com desprezo uma manifestaçåo de generosidade. Daí Paulo, embora tenha aprendido a adequar-se a quaisquer situações, reconhecer a importância da solidariedade filipense.

Participar das aflições alheias, ajudando em sua superação, é um ato de bondade. Aceitar a ajuda é uma maneira de valorizar uma ação necessária em sociedades nas quais, por razões que não vem ao caso, se gera cada dia mais pessoas indiferentes a quem está ao redor.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Poder - Filipenses 4:13

“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses‬ ‭4:13‬)

A relação com Jesus não é uma redoma que nos envolve em um mundo de prosperidade e conforto, isolado das duras e dolorosas realidades que caracterizam a vida terrena. Tanto a vida e os ensinos de Jesus sobre perseguições e aflições, quanto nossa própria experiência de prosperidade e empobrecimento, saúde e doença, satisfação e insatisfação, demonstram isso.

"Tudo posso", nada tem a ver com poder para viver tudo, muito menos somente, o que se sonha ou se deseja. "Tudo posso" tem a ver com poder para conviver com o nada ter e até com tudo que não se deseja ter. Portanto, quem se propõe a seguir Jesus (não pastores da falsa prosperidade) não se alimenta de ilusões.

O que a vida em Jesus alimenta é a confiança na graça e no poder soberanos de Deus, é a esperança na ressurreição, é a reorientação de nossa escala de valores espirituais e a promessa de capacidade para enfrentar com coragem adversidades inerentes à humanidade. Foi por Jesus que Paulo disse: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece." (Filipenses 4:12-13)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ter - Filipenses 4:12

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” (Filipenses‬ ‭4:12‬)

Viver contente não é viver sorrindo, mas saber enfrentar de maneira adequada, sem "perder a graça", as "bi-polaridades" relacionadas ao TER, as quais estamos sujeitos na vida. É que, em torno do TER e do NÃO TER gira nosso cotidiano. (Não por acaso, a economia é o centro de nossas ocupações). 

TER comida, água, abrigo, roupa, ruas, transporte, companhia, enfim, em quantidade e qualidade que atenda nossas necessidades, ocupa esforços humanos individuais e coletivos. Essas necessidades se agravam ou melhoram, dependendo do critério que rege a escolha de cada um, se físico, emocional, político, social, etc.

O TER tem poder estruturador e desestruturador em nossas vidas. 
Quem não é capaz de se relacionar com o ele, não está preparado para viver. Por isso, lidar com o TER é um aprendizado que merece atenção. Paulo APRENDEU o segredo.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Adaptação - Filipenses 4:11

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância." (Filipenses‬ ‭4:11‬)

Necessidades, todos temos. Precisar de ajuda, todos precisamos. A questão é que, diante de necessidades, o primeiro caminho trilhado por alguns é sempre buscar ajuda e isso também tem um preço. Quem escolhe essa atitude é semelhante a quem opta por buscar empréstimos quando as despesas se tornam maiores do que as receitas. É uma saída, mas há um preço: juros.

Paulo parece ter aprendido o caminho inverso. Em vez de depender da ajuda externa, optou por fazer cortes nas despesas. Isso é capacidade de adaptação. É um aprendizado e também tem um preço. Se também tem um preço, qual seria a vantagem? A vantagem é não tornar-se dependente - e doente - por falta de alternativa. 

Receber ajuda não é problema. Até pode ser uma oportunidade de fazer feliz a pessoa que quer ajudar. Mas, se não há quem ajude ou se quem ajuda o faz pensando em um retorno emocional, político ou financeiro caro, ser capaz de ajustar a vida à realidade é sinal de inteligência, saúde, autonomia. Adaptação nesse caso não é conformismo, mas o preço da liberdade para reposicionar-se sem angustiar-se, sem tornar-se infeliz e adoecer.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Interesse pelo outro - Filipenses 4:10

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo.” (Filipenses‬ ‭4:10‬)

Igreja é formada por indivíduos cujos comportamentos não são uniformes, nem para o bem, nem para o mal. Quando uma igreja é identificada como comprometida, por exemplo, com proclamação, causas sociais, não siginifica que todos os membros (ou líderes) são comprometidos. Significa que uma maioria é comprometida (ou uma propaganda enganosa a torna assim conhecida).

O caso da igreja filipense não era diferente. Se assim não fosse, seria desnecessária esta recomendação inicial de Paulo: "Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses‬ ‭2:4‬). Havia em seu seio pessoas desinteressadas pelo outro ou até, noutro extremo, egoístas mesmo.

Mas, parece-nos, o grupo de altruístas predominava. Assim cremos, tanto pelo comportamento relacionado a Epafrodito, quanto a Paulo,  mencionados na carta. Isso deve ser cultivado por nós, valorizado e estimulado em nossas igrejas, pois uma das maiores necessidades em nossos dias é de pessoas com espírito público, que pensa no bem comum e não apenas em si.

domingo, 25 de junho de 2017

Modelo prático - Filipenses 4:9

“Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês.” (Filipenses‬ ‭4:9‬)

Nossa prática revela quais modelos norteiam nossas ações. É que, por detrás de tudo que sentimos, pensamos, falamos ou fazemos, existem modelos que em nós foram introjetados culturalmente desde o nosso nascimento, através das interações vividas com as realidades do cotidiano.

O modelo de atitudes de Jesus funciona como um contramodelo, uma espécie de contracultura positiva às culturas negativas presentes em nós e nos relacionamentos de diversas naturezas que caracterizam e prejudicam nossas vidas.

Paulo se empenhou em identificar-se com Jesus, por isso coloca-se como um modelo objetivo, presente, a ser seguido pela igreja, numa época em que o que se sabia de Jesus era via transmissão oral. Seu objetivo com isso era ajudar a igreja a ser, em seu viver diário,  uma manifestação da presença divina, tanto em si mesma quanto no mundo ao seu redor.

sábado, 24 de junho de 2017

Amigos

Amigos
(Estar no Recife, rever tantas pessoas amigas, abraçar e ser abraçado, ter a sensação de acolhimento, levou-me a colocar em palavras um pouco do meu sentimento)

Amigos são amigos
Nem precisam dizer que são
Nem precisam te chamar de amigos
Eles são, simplesmente são
São amigos, porque são.

Eles não estão conosco todas as horas
Mas quando deles precisamos
Com eles podemos contar todas as horas.

Eles não silenciam para nos agradar
Eles não silenciam para conflitos evitar
Quando sabem que precisamos ouvir
Ali estão para falar
E quando precisam nos ouvir
Ficam atentos sem recriminar.

Com eles nossos corações aceleram
Com eles nossos rostos relaxam
Com eles nossas lágrimas escorrem
Com eles nossos corpos se abraçam.
Com eles nossos lábios oram
Com eles nossas tristezas evaporam
Com eles nossas mãos agradecem
Com eles nossos pés se revigoram.
Com eles nossos rancores se derretem
Com eles nossas esperanças renascem
Com eles nossas almas se acalmam
Com eles nossa solidão desaparece.

Eles estão marginalizados?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles estão no auge da fama?
E dai, caminhamos lado a lado!
Eles estão endinheirados?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles pisaram na bola?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles estão endividados?
E daí, caminhanhamos lado a lado!
Eles cometeram pecado?
E daí, caminhamos lado a lado!
Eles estão em momento de graça?
E daí, caminhamos lado a lado!

Não estamos com eles pelo que ganhamos,
Nem estamos com eles pelo que perdemos.
Estamos com eles porque nos amamos
Estamos com eles porque acreditamos.
Acreditamos que a amizade
A verdadeira amizade
É caminho inigualável 
De produção de bem estar
De produção de felicidade.

Amigos também se entristecem
Amigos também se enraivecem
Amigos também se amedrotam
Mas a alegria de amigos, prevalece.
Porque só é capaz de ser amigo
Aqueles em quem o amor não adormece.

No vocabulário de amigos
Os sentimentos disparam
Com o apertar do gatilho.

O aperto da palavra dor
Dispara a  manifestação de solidariedade
O aperto da palavra solidão
Dispara o desejo de fazer companhia
O aperto da palavra vacilo
Dispara a oportunidade de reavaliação
O aperto da palavra alegria
Dispara a necessidade de celebração
Para cada palavra que um lado expressa
Do outro, dispara uma conexão.

Amigos não se abandonam
Amigos não se esquecem
A distância os separam
Mas a amizade permanece.
Ainda que não se comuniquem
E cinzas comecem a aparecer
Basta um sussurro da voz
Para uma brasa brilhar
Para uma labareda surgir
E o coração despertar
E a amizade renascer.

Até Jesus de Nazaré
Que teve poderes nas mãos
Que o mundo teve a seus pés
Que foi mestre de muita gente
Que da humanidade é salvador
Entre mandar e ser obedecido
E de servos ser o senhor
Optou por fazer amigos
Pois era movido a amor.
Preferiu a amizade
Dos que estavam ao seu redor
Preferiu chamar de amigos
Os que com ele seguiam
Pois de tudo neste mundo
Que contribui à felicidade
Nada há mais valioso
Do que uma boa amizade.